Tradicional colégio da Zona Sul paulistana também conta com projeto próprio que visa a ‘desmobilizar’ praticantes sem constranger vítimas
São Paulo – Muito antes de o termo ‘bullying’ ganhar a proporção que vem merecendo nas escolas, e mesmo na mídia, nos últimos meses, o Colégio Elvira Brandão cuida do assunto com rigor pedagógico. A escola conta com uma série de estratégias tendo em vista eliminar essa prática capaz de constranger, segregar e traumatizar suas vítimas. Por exemplo: em suas classes do Ensino Fundamental do 3º ano e 4º ano, o Elvira Brandão optou por empregar o teatro como ferramenta de combate ao ‘bullying’.
De acordo com o diretor pedagógico da instituição, Walter Armellei, os alunos desse estágio de ensino, com idades entre 8 anos e 11 anos, vem sendo estimulados a escrever peças de teatro baseadas em títulos específicos, de autores infanto-juvenis, focalizando a prática do ‘bullying’. Recentemente, o livro “Lilás”, da autora Mary E. Whitcomb, contextualizado no respeito às diferenças, serviu de base para diferentes encenações envolvendo o ‘bullying’ na escola.
Armellei comenta que o resultado obtido pela escola com a iniciativa foi “espetacular”. “Os alunos do 3º e do 4º ano encenaram para os do 2º, e a temática do livro contagiou a grande maioria. Acreditamos que colhemos bons frutos com essa estratégia pedagógica e a tendência é a de que ela seja levada também a outros níveis de ensino”, resume o diretor.
O livro “Lilás” (editora Cosac Naify), por sinal, procura ensinar o leitor a aceitar a realidade das coisas, por mais estranhas que estas pareçam se apresentar. Armellei enfatiza que a narrativa é centrada na história de uma “menina diferente”, cuja trajetória estimula na criança o uso da imaginação e a auxilia em novas descobertas. “A personagem Lilás, inicialmente incompreendida pelos colegas, revela-se ao final um ser especial e de grande sensibilidade”, assinala o diretor.
Socorro às ‘vítimas’
Há cerca de dois anos, a escola adotou um projeto específico que envolve sua direção, professores e alunos contra o ‘bullying’, e se baseia na chamada ‘denúncia anônima’. “Esse modelo tem nos ajudado a neutralizar agressores”, salienta o diretor.
Armellei explica que há locais específicos para que denúncias anônimas sobre ‘bullying’ sejam ‘postadas’, por escrito ou via e-mail. A escola assume o compromisso de não revelar denunciantes. Recebidos os casos, e confirmada sua veracidade, os professores e a direção agem de maneira que os envolvidos - agressores e agredidos -, também não sejam identificados publicamente.
“Vale dizer que nem sempre os denunciantes são as próprias vítimas de ‘bullying’. Temos constatado que há colegas solidários com os incômodos vividos por seus pares e que tomam a iniciativa de denunciar”, complementa Armellei. “Sempre buscamos evitar essa prática em nossas dependências, com o emprego de recursos pedagógicos conhecidos e eficientes, mas nossa grande dificuldade era a de identificar agredidos e agressores, já que as vítimas, em geral, são instadas a não revelar sobre os ataques que sofrem”, reforça.
Ele revela ainda que como medida complementar de combate ao ‘bullying’ a escola muitas vezes faz a convocação de alunos e/ou de seus pais para promover conversas reservadas, “e na maior parte dos casos sem que haja menção direta a detalhes de fatos ocorridos, visando a preservar os agredidos”, finaliza Armellei Jr.
Sobre o Colégio Elvira Brandão
O Colégio Elvira Brandão é uma instituição de ensino voltada à construção do conhecimento. A escola persegue a excelência para formar cidadãos éticos e intelectualizados, preparados para o prosseguimento bem sucedido dos estudos, para o mercado de trabalho e o exercício da cidadania.
Uma das mais antigas e tradicionais instituições de ensino da capital, hoje com 750 alunos e 100 professores, o Colégio Elvira Brandão atua em todos os níveis de ensino entre o Berçário e o Ensino Médio. Os atuais mantenedores Camila Rocha e Fernando Caiuby são bisnetos da conhecida professora paulistana, já falecida, que dá nome à escola - na qual estudaram personalidades como Ruy Mesquita, Julio de Mesquita Neto, Antonio Ermírio de Moraes, Dorina Nowill, Eva Wilma, Rubens Barrichello e Guilherme Afif Domingos, entre outras.
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